16.11.08

Mas o que será...


A aventura continua.

Sim, ela levanta meia aba de chapéu, tira a bota da lama e segue olhando com desconfiança mata adentro. Na bolsa, uma luneta. Com ela, tenta enxergar o que está por trás dos galhos, de um rastro de luz que anuncia a fonte do mistério. Lá, no meio do verde, um monte de asinhas batem, rebatem, sobrevoam a grande árvore que fica na ponta do abismo. E o infinito povoa o horizonte...

O sol está quase se pondo, e ela sobe até o topo da espécie frondosa que habita aquele cume. Então, ora, ora. Vejam a surpresa: alguém com feições idênticas está com um latop digitando calmamente linhas e linhas de algo difícil de ler. A garota-aventura faz cara feia. A garota-escritora faz cara feia.

Elas andam em círculo. Lá fora, asinhas nervosas, e o sol alaranja, assustado. O que poderia ser? O que poderia ser? Uma começa a bisbilhotar o espaço incomum. A outra, tensa, tenta entender. Na tela, um pop-up. Um trabalho para salvar. Enquanto isso, as idéias não páram, uma quer descobrir, a outra quer resolver. Mexem no teclado, brigam por respostas e páram diante do nome "Monografia". O que poderia ser? O que poderia ser?

Pausa dramática. A garota-escritora pega seu chá, ajeita o relógio do armário com ar de não-me-pergunte-pois-não-vou-dizer. A garota-aventura quer saber. Mas-eu-não-vou-dizer, sorri a outra.

Olhinhos repressores.

Ainda-não-sei-o-que-dizer, e encosta-se na varanda da casa na árvore. A outra vai atrás, curiosa. E o infinito verde está lá, mas não diz muito, não naquela direção.

Asinhas ao vento na lufada de mais um dia.

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